De uma forma, sempre entendi meus trabalhos anteriores às pinturas como comentários sobre escultura, instalação e, inclusive a própria pintura, pois essa sempre foi um assunto de grande interesse para mim. Utilizei durante anos tinta em spray e tinta acrílica em trabalhos feitos em tricô ou cerâmica. No entanto, comecei a me dedicar com seriedade a pintura sobre tela no início do período de quarentena, no primeiro semestre de 2020. De alguma forma, entendi que era importante produzir imagens que manifestassem meu estado de espírito naquele momento e que fossem, de alguma forma, compreensíveis. Acredito ter encontrado na tinta óleo a possibilidade de refletir sobre processo e imagem simultaneamente, uma vez que o material exige um tempo muito próprio de secagem. Entendo o nariz que aparece nessa pintura (“Retrato de Nariz”, 2020) como um autorretrato. Também o penso como um pedaço de corpo que tem autonomia e pode ser um significante. Ou como se em algum momento, eu me sentisse inteiramente um nariz. Retratei ele contra uma paisagem: um chão verde (um gramado?) que foi construído de uma maneira bastante simples, com uma pincelada; e um céu azul em degradê com nuvens brancas. Após mais de 10 anos de prática, me sinto a vontade para fazer meu trabalho sem precisar me justificar. Entendo que o espaço de produção artística oferece a oportunidade do livre pensar. Dessa forma, minhas preocupações humanas, subjetivas, sociais e políticas encontram respostas inesperadas. - Daniel Albuquerque
De uma forma, sempre entendi meus trabalhos anteriores às pinturas como comentários sobre escultura, instalação e, inclusive a própria pintura, pois essa sempre foi um assunto de grande interesse para mim. Utilizei durante anos tinta em spray e tinta acrílica em trabalhos feitos em tricô ou cerâmica. No entanto, comecei a me dedicar com seriedade a pintura sobre tela no início do período de quarentena, no primeiro semestre de 2020. De alguma forma, entendi que era importante produzir imagens que manifestassem meu estado de espírito naquele momento e que fossem, de alguma forma, compreensíveis. Acredito ter encontrado na tinta óleo a possibilidade de refletir sobre processo e imagem simultaneamente, uma vez que o material exige um tempo muito próprio de secagem. Entendo o nariz que aparece nessa pintura (“Retrato de Nariz”, 2020) como um autorretrato. Também o penso como um pedaço de corpo que tem autonomia e pode ser um significante. Ou como se em algum momento, eu me sentisse inteiramente um nariz. Retratei ele contra uma paisagem: um chão verde (um gramado?) que foi construído de uma maneira bastante simples, com uma pincelada; e um céu azul em degradê com nuvens brancas. Após mais de 10 anos de prática, me sinto a vontade para fazer meu trabalho sem precisar me justificar. Entendo que o espaço de produção artística oferece a oportunidade do livre pensar. Dessa forma, minhas preocupações humanas, subjetivas, sociais e políticas encontram respostas inesperadas. - Daniel Albuquerque