A pintura celebra a memória da Acadêmicos do Sossego, escola de samba de Niteroi-RJ da qual a avó do artista foi uma das fundadoras, nos anos 1960, e que encerrou suas atividades em 2022. A fantasia da porta-bandeira, que carrega o pavilhão da escola, reúne referências a obras e elementos marcantes da trajetória de Mulambö ligadas à construção de sua identidade: Bandeira Mulambä (2019), Ourubu (2021) e a Praia da Vila, em Saquarema, lugar onde o artista mantém seu ateliê e que esteve presente nas exposições "Saquarema" (2024) e "O Canto da Vila" (2025).
Ao transformar a própria trajetória em enredo da escola de samba que foi fundamental para sua formação como artista, e que hoje se mantém viva justamente por meio de seu trabalho, Mulambö faz com que o ciclo entre árvore e fruto se entrelace e ganhe movimento, como o bailado da porta-bandeira que faz o pavilhão tremular entre vida e paixão. Nesse desfile fictício de uma escola que já não existe, a obra mantém vivas as memórias e as relações daqueles que, assim como diversas gerações da família do artista, viveram a quadra, os ensaios e os desfiles da Acadêmicos do Sossego.