Alex Rocca. São Paulo, 1982 Na travessia pela origem, entre gestos e lembranças, o artista invoca os saberes de sua avó cabocla, cuja cunhagem em gestos manuais e experimentações com fibras, argila, vidro e metal sacraliza a herança que sempre o guiou. Nesse território simbólico, a cultura Banto, a riqueza de formas e expressões africanas: máscaras, esculturas, tecidos rituais, festas sagradas, também se manifestam nas obras, assim como a cultura Iorubá, em que o culto aos Orixás, a filosofia de Ifá e a arte ritual revelam uma visão de mundo onde o humano, a natureza e o sagrado se convocam. As Joias Crioulas, originárias do período colonial, eram adornos usados por mulheres negras e mestiças, muitas delas libertas, como forma de afirmar presença, status e identidade em meio à escravidão. Hoje, assumem o papel de símbolo de resistência e reconstrução de pertencimento. Cada gesto, como costurar, amarrar, furar, moldar, fundir, polir e torcer, participa de algo maior: movimentos que resgatam memória e matéria, da fibra ao metal, da argila ao vidro. Nas obras há um peso físico que dialoga com o peso simbólico da história. São densas, táteis, materiais. As cores, intensas, provocam um sentir de quem vê.
